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Gerenciando a Criação de Bezerras

Carla Maris Machado Bittar – prof.ª Dr.ª ESALQ/USP

Jackeline Thaís da Silva – Gerente de produtos para bezerras DeLaval

Marília Ribeiro de Paula – Dr.ª Sprayfo – Trouw Nutrition

INTRODUÇÃO

A criação de bezerras é essencial para garantir o futuro do rebanho, já que este depende da qualidade dos animais que substituirão as vacas na reposição. No entanto, a aquisição de bons índices está atrelada ao monitoramento do desempenho dos animais desde o nascimento. Somente com monitoramento é possível a realização de ajustes de manejo geral e de nutrição, possibilitando aumentos na produtividade e redução no custo, dentro de cada sistema de produção de leite.

ÍNDICES IMPORTANTES

Nos últimos anos, a visão do produtor em relação à criação de bezerras, vem mudando de “período de custo” para “fase de investimento’’. Para garantir que o investimento esteja bem aplicado, é necessário conhecer os reais valores investidos e o resultado obtido com as bezerras. Tal falha, esta principalmente relacionada à falta de anotações diárias do manejo. Obter índices que permitam a avaliação do desempenho das bezerras por grupo ou individualmente é o primeiro passo para iniciar o gerenciamento e ajustes no manejo. Em geral, devemos adotar fichas para anotações importantes, tais como: colostragem, peso ao nascimento e desaleitamento e ocorrência de doenças.

COLOSTRAGEM

A colostragem é essencial para reduzir as taxas de mortalidade, garantir a saúde da bezerra nos primeiros dias de vida e, além disso, garantir aumento na produção futura de leite. Para se certificar que este manejo tão importante seja devidamente realizado, será necessário monitorar e anotar algumas informações:

  • Qualidade do colostro fornecido para a bezerras: pode ser avaliada com o auxílio de colostrômetro ou refratômetro, sendo o valor observado anotado na planilha. Este manejo auxilia na identificação de colostro de baixa qualidade, que não garantem adequada colostragem. Quando este problema for identificado, ajustes na dieta, conforto e vacinação das vacas pré-parto deverão ser realizados.
  • Quantidade de colostro fornecida: a recomendação é fornecer no mínimo 10% do peso ao nascer em colostro nas primeiras 6 horas de vida da bezerra. O volume efetivamente consumido deve ser anotado, independentemente de ser maior ou menor que o recomendado. Com esta informação será possível compreender problemas de saúde e altas taxas de mortalidade ou replicar o manejo de bezerras com excelentes índices.

PESO AO NASCIMENTO

O manejo da bezerra recém-nascida possui vários pontos importantes, os quais exigem prioridade, como a colostragem e a cura do umbigo. No entanto, após esses manejos é importante que a bezerra seja pesada. Para avaliar o desempenho durante toda a fase de aleitamento ou algum período específico, é necessário saber qual é o ponto de partida, no caso, o peso ao nascimento. Esta medida pode ser realizada com o auxílio de balança ou estimado através da fita de pesagem. O importante, é sempre utilizar a mesma forma de pesagem.

PESO AO DESALEITAMENTO

O período mínimo recomendado de aleitamento para a bezerra é de 60 dias, no entanto, algumas propriedades estendem esta fase com o objetivo de desaleitar animais mais pesados. Independentemente da idade de desaleitamento, a pesagem é importante para a avaliação do manejo e da nutrição dos animais. Com o conhecimento do peso ao nascer e ao desaleitamento pode-se calcular o ganho de peso médio diário da bezerra durante a fase de aleitamento (GMD).

De acordo com o programa de aleitamento teremos diferentes taxas de crescimento possíveis. Muito embora seja recomendado que as bezerras dobrem o seu peso ao nascer até completarem 60 dias de vida, isso só é possível quando os animais recebem pelo menos 6L/d de dieta líquida (leite ou sucedâneo).

CONSUMO DE ALIMENTOS

Embora não haja necessidade de anotar diariamente o consumo de alimentos pelas bezerras, seu monitoramento é importante e muitas vezes auxilia no diagnóstico de doenças. O consumo de dieta sólida (concentrado) é negativamente correlacionado ao consumo de dieta líquida (leite ou sucedâneo), assim, quanto maiores volumes são fornecidos espera-se menor consumo de concentrado. Por outro lado, o consumo de concentrado é indicativo de desenvolvimento ruminal, quando o animal está pronto para ser desaleitado sem que ocorra redução nas suas taxas de crescimento. A recomendação é de que o animal esteja consumindo em torno de 800g/d para que o desaleitamento possa ser realizado. Assim, a adoção de uma medida (pote plástico) que tenha capacidade de pouco mais 800g/d indicará ao tratador aqueles animais que já alcançaram consumo seguro para o desaleitamento.

Já o consumo de dieta líquida, muito raramente será reduzido pela bezerra, a não ser em situações em que o animal esteja com a saúde bastante comprometida, resultando em anorexia. Também, a recusa no consumo de dieta líquida pode indicar erros de manejo como leite de baixa qualidade (azedo ou fermentado), dieta líquida em temperatura inadequada, sucedâneos de baixa qualidade ou ainda com diluição imprópria.

PROBLEMAS SANITÁRIOS

A utilização indiscriminada de medicamentos no tratamento de bezerras resulta em vários problemas, principalmente quando não há gerenciamento dessas informações:

  • Tratamentos desnecessários, incompletos ou com medicamentos antagônicos
  • Aumento no tempo de mão de obra.
  • Aumento do custo da criação.

É comum se observar a aplicação exagerada de medicamentos, sem a avaliação e/ou orientação de um profissional, ao se detectar os primeiros sinais das doenças. Este uso descontrolado de medicamentos, em especial antibióticos, pode tornar os agentes causais resistentes a determinados princípios ativos, bem como alterar a microflora intestinal dos animais tratados. Além disso, alguns medicamentos têm princípios ativos antagônicos, que ao serem administrados em conjunto, tem seus efeitos comprometidos.

Para evitar erros de medicação ou uso sem necessidade, o ideal é anotar na ficha individual da bezerra todas as informações relacionadas aos medicamentos (dia de início/final e quantidade em mL); e com essas informações também será possível identificar problemas de manejo e reduzir custos com a criação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente, percebe-se que grande parte dos problemas de manejo dos bezerreiros deve-se à falta de informações. Não se sabe ao certo o que ocorreu durante a vida da bezerra. Em geral, fazendas que gerenciam os dados do rebanho, anotam as informações pertinentes às vacas e acabam esquecendo a importância da informação gerada nos bezerreiros. O futuro da propriedade depende do sucesso na criação das bezerras.